Justiça derruba decisão que suspendeu atividades do Instituto Lula

A Segunda Instância da Justiça Federal em Brasília derrubou hoje (16) a decisão que suspendeu, na semana passada, as atividades do Instituto Lula . A decisão atendeu a um recurso protocolado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi proferida pelo desembargador Névton Guedes.
A decisão em que as atividades foram suspensas por determinação do juiz Ricardo Augusto Soares Leite, substituto da 10ª Vara Federal de Brasília, foi tomada no processo em que o ex-presidente é réu, junto com mais seis pessoas, acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.
Inicalmente, o magistrado informou que a decisão tinha sido tomada a pedido do Ministério Público Federal (MPF). No entanto, no dia seguinte, a Justiça Federal informou que a decisão foi tomada pelo juiz por conta própria. Dessa maneira, Leite agiu “de ofício”, ou seja, sem provocação da defesa ou da acusação. Ele justificou a medida com base no Artigo 319 do Código do Processo Penal (CPP), que prevê a “suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais”.
O desembargador Guedes entendeu que a suspensão das atividades do instituto, concedida pelo juiz da primeira instância, não poderia ter sido decretada de forma unilateral, sem solicitação do Ministério Público.

Lula: ‘Quem cuidava do apartamento era a dona Marisa’

Em seu primeiro depoimento cara a cara com o juiz Sergio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a sua esposa, Marisa Letícia, morta em fevereiro deste ano, era responsável pelo apartamento tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo. “Quem cuidava do apartamento era a dona Marisa”, disse o petista.

Com o tom de voz alterado, Lula esclareceu ao Ministério Público Federal: “Vou até repetir, se quiser economizar tempo. A minha relação com o famoso apartamento da Bancoop é de quando a minha mulher comprou, que foi feito imposto de renda, à primeira visita do Leo [Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS] para me falar que tinha que visitar o apartamento porque estava acabando o prédio”.
Lula respondeu durante mais de cinco horas pelas acusações de lavagem de dinheiro e corrupção passiva no processo que julgará se o ex-presidente é de fato o dono de um imóvel luxuoso no litoral paulista. Em abril deste ano, o empreiteiro Léo Pinheiro, responsável por conduzir a reforma do apartamento, confirmou que o tríplex pertencia à família de Lula.
Questionado a respeito da visita feita com Léo Pinheiro ao imóvel no Guarujá, Lula confirmou que de fato esteve no imóvel – e que deu carona para o empreiteiro na volta do litoral. “Na volta, por gentileza, falei pro Leo: ‘Vamos juntos conversando’. E o Léo veio junto comigo na volta até a hora que fui entrar para a minha casa em São Bernardo, e ele iria seguir para a casa dele, que não sei onde é”. O relato vai de encontro com a afirmação do empreiteiro, que declarou a Moro que durante essa viagem discutiu com Lula aspectos da reforma do imóvel. O ex-presidente negou que tivesse tratado desse assunto com o seu ex-companheiro. “Não discutimos [a questão de apartamento]”, afirmou o petista.

‘Policial gato’ chama atenção ao escoltar Lula em Curitiba

Depois do chamado “lenhador da Federal” – um agente de corpo torneado e barba estilosa – que escoltou o deputado cassado Eduardo Cunha no aeroporto de Brasília, na ocasião em que foi decretada sua prisão, um outro policial bonitão se destaca, desta vez na operação montada para o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro.
Uma espécie de sósia do apresentador e modelo Rodrigo Hilbert, o agente chamou atenção quando escoltava o ex-presidente em frente ao prédio da Justiça Federal, onde aconteceu o interrogatório. Usando uniforme preto, tal qual outros agentes que já acompanharam presos na operação Lava-Jato, o nome do policial Jorge Chastallo. Sabe-se também que ele pertence ao Grupo de Pronta Intervenção da Polícia Federal (GPI). Ele é discreto, avesso a fotos e não gosta de aparecer, segundo os colegas.
Depois de 40 fases da operação, esse já é o terceiro personagem curioso entre os policiais que atuaram em alguma etapa do processo. Nilton Ishi, conhecido como “japonês da Federal”, já foi tema até de marchinha de Carnaval do Rio. Ishi, no entanto, ganhou mais repercussão ao ser condenado por envolvimento em crimes de contrabando, o que o levou a ter de usar tornozeleira eletrônica. Mesmo com o aparelho, ele continua atuam na operação.
O policial flagrado na operação ao lado de Lula já foi fotografado em outras operação, algumas vezes ao lado do japonês. Já Lucas Valença – o chamado lenhador – tem feito sucesso em suas redes sociais desde que seu nome explodiu na mídia. Muitas vezes, Valença aparece sem camisa, o que provoca centenas de comentários sobre seu preparo físico.