Doria diz que chegará a hora de brigar com Lula

A rixa entre o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB leia João Doria 2018) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem sendo alimentada há tempos. Publicamente, o tucano já chamou o petista de ‘mentiroso’, ‘covarde’ e ‘cara de pau’. Dessa vez, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Doria afirmou que “haverá um momento da disputa em que [rivalizar com o ex-presidente] será inevitável”, diz.

Questionado sobre os seus discursos contra Lula e os seus seguidores, Doria ressalta: “Não escondo minhas posturas, principalmente no antagonismo ao PT. Mesmo que isso contrarie uma parte do eleitorado a favor do Lula, faço questão de ficar do outro lado”, disse o tucano.

“Haverá um momento da disputa em que isso será inevitável, por causa do estilo Lula (leia Lula 2018) de ser e de fazer campanha. Ele tem uma forma de conduzir principalmente sua vida política que não é suave. Haverá um momento na campanha em que essas circunstâncias serão ainda mais marcadas”, completou.

A reportagem pergunta à Doria, como era sua relação com Lula, enquanto pessoa privada. “Nunca foi uma relação afetuosa e simpática, mas ele já esteve num almoço no Lide [grupo empresarial de Doria], no primeiro mandato. A minha posição em relação ao Lula, distante e adversa, é antiga, não foi cultivada agora”, explica.

O prefeito de S. Paulo também disse que: “Lula tem memória curta e seletiva. Minha primeira prova eu já demonstrei: ganhei a eleição do candidato dele no primeiro turno”.

O candidato ao qual Doria se refere é o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), sobre quem o tucano confessa: “Não vou omitir a verdade. Mas tenho respeito pelo ex-prefeito. É uma das raras pessoas honestas no PT”, diz Doria.

Eleições 2018 Brasil: Candidatos na pista – PSDB Doria

Assim como o PT, seu histórico adversário, o PSDB sofreu com a implicação dos seus principais quadros em escândalos de corrupção. O senador Aécio Neves (MG), derrotado no segundo turno das eleições de 2014 por Dilma Rousseff (PT), foi varrido para fora da disputa presidencial após se tornar alvo de nove inquéritos no STF. Entre as ações investigadas está o pedido de dois milhões de reais que o senador teria feito ao empresário Joesley Batista, da JBS.

A pré-candidatura será disputada entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin – candidato ao Planalto em 2006 –, e o prefeito paulistano, João Doria. O senador José Serra (SP) – candidato em 2002 e 2010 – não descarta concorrer ao cargo, mas as menções ao seu nome nas delações de executivos da Odebrecht diminuíram seu capital político.

Alckmin, de 64 anos, foi o único que externou a vontade de ser presidente da República. Também citado nas delações da Odebrecht, o governador se fortaleceu dentro do partido ao defender por diversas vezes o desembarque tucano da gestão de Michel Temer (PMDB). Ele repetiu por diversas vezes que o compromisso da sigla deveria ser apenas com as reformas políticas. “Defendi lá atrás que o PSDB não ocupasse cargos [no governo]”, disse Alckmin, cujo partido tem quatro ministérios no governo.

A candidatura de Doria, de 59 anos, passou a ser vista com bons olhos pelo fato de o prefeito ser um “outsider” que passou incólume por escândalos. Doria, que jura lealdade à candidatura de Alckmin – seu padrinho político –, tenta ampliar o seu alcance político com viagens pelo Brasil e declarações duras contra o ex-presidente Lula e o PT. Falta, no entanto, fortalecer a sua imagem dentro do partido para bater de frente com o governador paulista.

Leia João doria 2018