Família de Gilmar Mendes fornece gado para a JBS, diz jornal -eleições 2017

Ministro contou à Folha de São Paulo que família tem negócios com a JBS (Foto:Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Gilmar se reuniu com Joesley Batista, um dos sócios da JBS, que gravou secretamente uma conversa com o presidente Michel Temer e com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). De acordo com o ministro, Joesley apareceu de surpresa na reunião que era, na verdade com o advogado Francisco de Assis e Silva para tratar de temas do setor do agronegócio.
Ainda segundo a publicação, o encontro com Joesley aconteceu fora do Supremo, na escola de direito em que o ministro é sócio, depois do dia 30 de março, quando o tribunal fez um julgamento sobre o Funrural, um fundo abastecido com contribuições de produtores rurais à previdência. Gilmar disse que votou, inclusive, contra seus próprios interesses e contra os interesses de sua família, já que o pagamento ao fundo, questionado pelos ruralistas, foi mantido pelo Supremo eleições 2017.
Gilmar revelou à Folha que conhecia Joesley, mas que não costumavam se encontrar. Ele contou que a relação aconteceu por questões comerciais. “Minha família é de agropecuaristas e vendemos gado para a JBS lá (Mato Grosso)”, disse. Segundo a Folha de São Paulo, é um irmão de Gilmar que negocia os valores com a empresa.
No entanto, Gilmar acredita que essa relação não é suficiente para que ele seja impedido de participar de votações relacionadas à JBS. O ministro defende que o tribunal reveja os termos do acordo de delação premiada da JBS. “Me parece que nesse caso, como envolve o presidente, certamente vamos ter que discutir o tema no próprio plenário”, disse em entrevista coletiva.

O medo das urnas é uma barreira à campanha “Diretas Já”

Enquanto Michel Temer se debate no cargo, o Parlamento insiste em levar adiante as discussões das reformas trabalhista e da Previdência, rejeitadas pela ampla maioria da população, além de aquecer os conchavos em torno de candidaturas indiretas. De nada adiantaram os ruidosos protestos que tomaram as ruas das principais capitais do País nos últimos dias, a pedir o afastamento imediato do presidente e exigir Diretas Já. Da mesma forma, as pesquisas de opinião, a indicar que nove em cada dez brasileiros desejam escolher o próximo presidente ainda neste ano, são ignoradas.

Alheia ao clamor popular, a base governista abusa das manobras legislativas para evitar a aprovação de uma emenda constitucional pelas eleições diretas. Uma proposta nessa direção, elaborada pelo deputado Miro Teixeira, da Rede, está em debate na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, seja qual for o motivo da vacância do poder: renúncia, impeachment ou cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral. Para evitar que o texto começasse a ser analisado na terça-feira 23, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), apressou-se a dar início à ordem do dia no Plenário, o que obrigou o colegiado a encerrar a discussão uma hora depois do início dos trabalhos (detalhes na reportagem à pág. 14). No dia seguinte, o peemedebista Rodrigo Pacheco, presidente da CCJ, incumbiu-se de segurar a pauta.