Lula com Sérgio Moro

Nos últimos dias, o ex-presidente Luiz Inácia Lula da Silva (PT) tem ironizado com mais intensidade a força-tarefa da Operação Lava Jato. Chegou a afirmar, no encontro do PT, em São Paulo, que, “se não me prenderem logo, quem sabe, eu mando prendê-los”. Ao mesmo tempo, na última pesquisa de intenção de voto para o pleito de 2018, Lula mantém-se na liderança, apesar das citações nas delações. Agora, chega a vez de o ex-presidente sentar frente a frente com o juiz Sérgio Moro, em depoimento que dará na quarta-feira. De um lado, com as redes sociais turbinadas, os petistas querem transformar o evento em um comício político. De outro, movimentos contrários à corrupção querem garantir tranquilidade ao magistrado. No que diz respeito à situação jurídica, o depoimento não deverá mudar muita coisa, mas politicamente é um caldeirão efervescente. O encontro em Curitiba também dará uma sinalização se Lula terá combustível suficiente para tentar voltar ao Palácio do Planalto, em 2019. Na quarta-feira, os holofotes estarão voltados para o Sul do País. Reforma arriscada As mudanças anunciadas pelo governo na reforma da Previdência, fazendo o tortuoso caminho até a votação final, em plenário, deixam o processo mais complicado quanto mais tempo o Congresso demorar para votar a proposta. O presidente da Comissão, o gaúcho Carlos Marun (PMDB-MT, foto), promete acelerar a votação, após o incidente com agentes penitenciários que invadiram a Câmara dos Deputados. A oposição acredita que o governo não conseguirá os 308 votos necessários para mudar a Constituição e aprovar a proposta, porque não poderá utilizar o mesmo expediente usado na vitória na Comissão Especial de substituir indecisos por fiéis aliados. Já os governistas acreditam repetir a vitória em plenário. Mas não se pode ignorar que o Palácio do Planalto tem opositores na própria base governista quando se trata de reforma da Previdência. País faliu “O Brasil tem hoje 14 milhões de desempregados, pois as reformas trabalhista e previdenciária não foram feitas durante os 14 anos de presidentes do PT, apesar da tentativa fracassada de Lula”, afirma o deputado federal gaúcho Jones Martins (PMDB). Segundo o parlamentar, “é incrível como nós vemos discursos virulentos de uma oposição que quer passar a ideia de que não tem nada a ver com isso. As reformas trabalhistas também foram defendidas pela ex-presidente Dilma (Rousseff, PT), que só não as fez, porque não teve articulação no Congresso Nacional”. Vandalismo não Mas o que nem governo, nem oposição podem admitir são os atos de vandalismo a que o Brasil assistiu com agentes penitenciários invadindo o Congresso e promovendo quebra-quebra no plenário da Comissão Especial que discutia a reforma da Previdência. Pior que o espetáculo macabro dos agentes penitenciários, armados e sem nenhuma noção de civilidade foi o incentivo dado por alguns parlamentares de oposição, que facilitaram e incentivaram os baderneiros a invadirem o Parlamento, permitindo que entrassem no Poder Legislativo e intimidando com sua “autoridade de deputado” os policiais legislativos, que agiram com firmeza e não se acovardaram. – Jornal do Comércio

Renda, estudo e região separam eleitores de Lula e Bolsonaro

Analisados sob a ótica de renda familiar, escolaridade, gênero, idade e região, simpatizantes de Lula e votantes de Bolsonaro estão em polos opostos. É o que mostram os resultados da pesquisa Datafolha sobre intenção de votos para 2018 que apontou Lula, do PT, na liderança da corrida, com Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSC) tecnicamente empatados em segundo lugar.
Considerando-se um entre os seis cenários testados pelo instituto, Lula tem nas mulheres a maioria de seu eleitorado. Já o deputado federal deve aos homens sua projeção. Dos eleitores de Bolsonaro, um terço tem até 24 anos, enquanto que Lula tem o dobro de eleitores entre os com mais de 60 anos. O petista tem sua melhor performance entre aqueles que completaram o ensino fundamental. Dos apoiadores de Bolsonaro, quase um terço tem ensino superior. O eleitor de Lula tem forte identidade partidária, enquanto os de Bolsonaro não são apenas apartidários, mas refratários a partidos políticos: 73% deles dizem não confiar nas agremiações, o maior índice da pesquisa, descontados os entrevistados que declararam votar nulo ou branco.

Os simpáticos a Bolsonaro estão no sudeste e os de Lula, no Nordeste. Os eleitores de Lula são pobres — mais da metade têm renda familiar de até R$ 1.874. Dos que declararam escolher Bolsonaro, apenas um quarto está nesta faixa de renda. O cenário sugere que classes econômicas e sociais podem vir a se traduzir, em 2018, em classes políticas claras.

— De um lado estariam os lulistas, aqueles que se beneficiaram das políticas sociais do governo Lula, mas que não necessariamente são partidários do PT. Do outro, surge um eleitorado que tende à extrema direita, que busca uma ação forte, uma imposição da vontade, típicos de movimentos como o visto com o presidente americano Donald Trump — afirma o cientista político Cláudio Gonçalves Couto, da Fundação Getúlio Vargas.

Os atores políticos têm vocalizado essa polarização. Lula afastou-se do perfil “Lulinha Paz e Amor” que o levou à Presidência em 2002, depois de ter angariado a simpatia de empresários e banqueiros com o tom ameno adotado na “Carta ao Povo Brasileiro”. Questionado em entrevista ao SBT na semana passada se o mercado financeiro deveria temer uma guinada à esquerda em um possível retorno seu à Presidência, Lula respondeu:

— O mercado pode temer sim, sabe por quê? Porque o Banco do Brasil vai voltar a ser banco público, porque a Caixa Econômica vai voltar a ser banco público, porque o BNDES vai voltar a ser banco público.http://www.eleicoes2018brasil.net/