PT vê risco de ‘rebeldia popular’ se Lula ficar de fora em 2018

O Diretório Nacional do PT aprovou neste sábado, 16, uma resolução política na qual reafirma a defesa da pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diz que a eventualidade de o petista ser barrado pela Justiça pode levar à “rebeldia popular” e alerta para o risco de “desobediência civil” diante de suposta “arbitrariedade” do Judiciário.

A decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) de marcar para o dia 24 de janeiro o julgamento que pode tornar Lula inelegível – chamado de “casuísmo” no documento – dominou os dois dias de reunião da cúpula petista realizada em São Paulo. Durante o encontro, o partido reiterou que vai insistir na candidatura de Lula até o fim, rejeitou um plano “B” e ouviu advogados para criar uma narrativa na qual a possível condenação do ex-presidente pelo TRF-4 não encerra a disputa jurídica pelo direito de o petista disputar o Planalto pela sexta vez, em 2018.

Para o PT, a pré-candidatura de Lula 2018 está “consolidada de tal forma que não pertence mais ao PT; pertence ao povo brasileiro”. Por isso, segundo o partido, a oposição promove uma campanha para impedir que o petista seja candidato e, “para evita-la, é preciso que nosso presidente continue liderando as preferências populares, como demonstrado nas caravanas, é preciso que avancem a organização e a mobilização do povo, e que deixemos claro que a escalada do arbítrio não apenas ampliará a crise e a instabilidade política, como também poderá resultar em rebeldia popular”.

Na resolução, o PT chama seus militantes à mobilização. A transformação dos diretórios municipais do partido em Comitês em Defesa da Democracia e de Lula foi anunciada na sexta-feira, 15, com a criação de uma comissão de mobilização e um calendário de manifestações que começa na terça-feira, 19, com uma aula aberta de advogados na frente do TRF-4, em Porto Alegre, e prevê grandes atos em São Paulo e na capital gaúcha. Leia mais sobre eleições 2018 Brasil.

Eleições 2018: Lula segue na liderança, e Alckmin e Bolsonaro empatam no 2º turno

Uma pesquisa do DataPoder360 realizada de 8 a 11 de dezembro deste ano indica Luiz Inácio Lula 2018 da Silva (PT) como vitorioso no 1º e 2º turnos das eleições presidenciais de 2018. Mas o destaque da pesquisa ficou para o quase empate de Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSC) no segundo turno. Lula teria 41% das intenções de voto, e o tucano teria 28%. Já Bolsonaro seria derrotado por 30%.

O DataPoder360 entrevistou 2.210 pessoas com 16 anos ou mais em 177 cidades. a margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos. Essa foi a primeira vez que esta pesquisa investigou possíveis cenários de 2º turno.

Em simulações de 1º turno, foram feitos três cenários. Lula esteve fora de um dos cenários, já que enfrenta julgamento em segunda instância em janeiro e corre o risco de ficar inelegível para 2018. Se o petista ficar fora da disputa, Bolsonaro segue líder com folga: registrou 23% e parece ter se estabilizado nesse patamar desde outubro. Sem Lula, o percentual de “não voto” (indecisos, brancos, nulos e “não sabe”) dispara e vai a 46%. Com o petista, esse “não voto” cai para 26%.

Ciro Gomes, que em outubro e novembro teve forte exposição na mídia, chegou a ter até 14% em pesquisas passadas. Agora, está com 10% no cenário sem Lula. Marina Silva pontua também 10%. Alckmin tem 7% e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) aparece com 5%.

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Bolsonaro cresce ao vestir figurino do “anti-Lula”. Mas isso pode prejudicá-lo

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) está vencendo sua primeira guerra de comunicação para se tornar um candidato viável para a Presidência em 2018. Ele é, de longe, o concorrente mais identificado pelos brasileiros como aquele que se opõe ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E, ao encarnar o “anti-Lula”, Bolsonaro cresce nas intenções de voto agregando a simpatia de quem rejeita o petista. A estratégia, porém, é arriscada. Ao mesmo tempo, o deputado aumenta sua rejeição. E pode perder o discurso se Lula não for candidato.

Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado na sexta-feira (28) mostra que 32,2% dos eleitores indicam Bolsonaro como o concorrente que mais representa o “anti-Lula” ou o “anti-PT”. Na segunda posição, vem o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), com 14,5%. Depois aparecem Marina Silva (Rede), com 12,3%; Geraldo Alckmin (PSDB), 7,6%; Joaquim Barbosa (sem partido), 7,3%; Ciro Gomes (PDT), 3,6%; e Alvaro Dias (Podemos), 2,8%.

O diretor do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, afirma que o forte discurso de Bolsonaro contra Lula vem lhe garantindo o crescimento nas intenções de voto, pois o petista tem alta rejeição (55,8%). A mesma pesquisa mostra que o deputado consolidou a segunda posição na corrida eleitoral com índices que variam de 18,7% e 20,8% dependendo do cenário – contra 25,8% e 26,1% de Lula. “Quem não gosta do Lula vai votar em qualquer outro concorrente que evite que ele se eleja presidente.”

Mas, ao mesmo tempo em que cresce batendo em Lula, Bolsonaro também aumenta sua rejeição, que é de 53,9%. “A estratégia do Bolsonaro é inteligente para ele ir ao segundo turno. Mas, para ganhar a eleição, é diferente. A rejeição alta pesa”, diz Hidalgo.

O diretor do instituto destaca que embora Bolsonaro e Lula tenham índices de rejeição semelhantes, nesse ponto o petista está numa situação melhor. “À exceção do Lula, até agora ninguém ‘apanhou’ [foi alvo de acusações e teve a vida esmiuçada].” Ou seja, quando a “artilharia” começar contra os demais candidatos, a rejeição a eles tende a aumentar e os índices de intenção de voto, a cair.